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Cambistas vendem zona azul a R$ 10 no Parque Ibirapuera Vendedores clandestinos que atuam nos portões do parque Ibirapuera (zona sul de São Paulo) estão vendendo por até R$ 10 cada cartão de zona azul, obrigatório desde fevereiro de 2007 para estacionar dentro do parque. O preço oficial do cartão, válido por duas horas, é R$ 1,80. As vítimas preferidas são pessoas que chegam em veículos com placas de outra cidade ou que estão indo ao parque pela primeira vez e não sabem onde estacionar. Os vendedores atuam nos finais de semana e em dias de eventos especiais, quando o parque chega a receber até 120 mil pessoas --média diária de público aos sábados e domingos. Os principais pontos de atuação são os portões 3, 4, 9 e 10. Os cambistas atraem os motoristas do lado de fora do parque quando eles ainda estão indecisos e não sabem onde parar. Depois, iniciam um longo diálogo que, na maioria das vezes, apela para a violência psicológica. "Já ameaçaram quebrar meu carro só porque eu falei que não aceitaria o serviço deles", diz o publicitário Carlos Costa e Sousa, 29 anos. Um agente da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) que trabalha à paisana no parque conta que uma mulher do interior ficou revoltada, certo dia. "Disseram a ela que o cartão custava R$ 10 e era válido por quatro horas. Ela comprou. Quando voltou para o carro, mais de três horas depois, havia uma multa, pois um cartão vale apenas por duas horas. Ela veio falar comigo e eu expliquei que ela havia caído em um golpe." Segundo um taxista que trabalha ao lado do Ibirapuera, os vendedores clandestinos, cerca de 30 ao todo, são bem organizados. "Existe um revezamento para abordar os clientes que deve ser religiosamente respeitado por todos. Caso contrário, pode sair briga." "Não tem como combater isso aí não. Chamamos a GCM (Guarda Civil Metropolitana), mas eles fogem e depois voltam", afirma outro agente da CET. Um vendedor clandestino ofereceu um cartão à reportagem do Agora. Mesmo com o logotipo do jornal estampado na porta do carro, ele não hesitou em tentar aplicar o golpe. "Cinco reais, campeão, para você ter um pouco mais de segurança. Pode deixar que ninguém bota a mão", disse. A ação dos cambistas é facilitada porque não há limites na compra do talões de zona azul nos nove pontos-de-venda dentro do parque. Procurada, a assessoria do Parque Ibirapuera afirmou que o combate aos ambulantes é responsabilidade da GCM. A assessoria da Guarda, por sua vez, não informou como funciona a fiscalização. Disse apenas que a orientação é para que os usuários não comprem zona azul fora dos postos oficiais.
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