Relatório aponta superlotação e falta de lazer em asilos
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WILLIAN VIEIRA
da Folha de S.Paulo
São 15h, e 20 idosos enfileirados em dois bancos de madeira aguardam a atividade do dia --ver um filme dublado na televisão, ao lado de um senhor que lê uma revista de três semanas atrás e de outros que dormem em cadeiras de rodas. A cena é comum em asilos superlotados do Brasil onde milhares de idosos ociosos "esperam pela morte", segundo o relatório da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e CFP (Conselho Federal de Psicologia), revela reportagem publicada neste domingo na Folha de S.Paulo (íntegra para assinantes do jornal e do UOL).
"O Brasil não possui infra-estrutura mínima de abrigamento para sua população idosa", diz o documento obtido pela Folha, feito a partir de inspeções em 22 ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos), das quais 18 privadas, em 12 Estados. Dez foram tidas como superlotadas (quatro idosos por quarto), 11 não ofereciam lazer e 13 não tinham funcionários suficientes. Uma nem sequer tinha médico.
"Vimos depósitos de idosos abandonados, sem família ou contato com a comunidade", diz Ana Luiza Castro, coordenadora da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP. Ela diz que a "maioria dos asilos não está nas mãos do Estado" --dado confirmado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). "A estimativa é de que a maioria seja privada", diz o órgão, que está fazendo o levantamento dos asilos existentes no país. São 2.879 cadastrados até agora.
Segundo a reportagem, o relatório termina afirmando que o Estatuto do Idoso tem sido desrespeitado e recomenda ao Ministério Público a "instauração de procedimentos administrativos". Aprovado em 2003, o Estatuto garante ao idoso o direito ao lazer, à liberdade, à dignidade, a acomodações para recebimento de visitas e até assistência religiosa.
Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u437265.shtml