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Segundo a Assessoria de Imprensa do HC, metade do Prédio dos Ambulatórios continua interditada por causa do incêndio. Essa área abriga 13 especialidades e respondia por 25% das 1.303 consultas agendadas para ontem. Coube à outra metade do prédio e ao Instituto Central absorver a demanda. Como os meses de janeiro e fevereiro são os de mais baixa procura no HC, o movimento foi tranqüilo durante o dia e a farmácia funcionou normalmente. Mas, por causa do incêndio, o atendimento foi parcialmente improvisado. A maioria das especialidades foi transferida para o Instituto Central, mas o setor de nefrologia, por exemplo, ocupa agora parte do espaço do Ambulatório Geral e Didático (AGD), onde um cartaz escrito a mão anuncia a mudança. Até as 19h30, o HC não havia divulgado o balanço do dia. Às 14 horas, a paciente Virgínia Ferreira ainda aguardava pela consulta marcada para as 13h10 com a médica que trata seus rins. A aposentada Hiroko Horinouti Berlino, de 63 anos, levou duas horas para remarcar o exame de cabeça e pescoço que o filho de 34 anos deixou de fazer em novembro. "Demorou, mas fui bem atendida", diz. Pela primeira vez, dividiu a fila de espera com pacientes de outras especialidades, como pneumologia. CONFUSÃO Quem saía do ambulatório reclamava das orientações confusas por parte dos atendentes. O aposentado Horácio Tominaga, de 66 anos, passou por quatro andares em dois prédios até conseguir remarcar um exame para sua sogra, de 80 anos. "Isso porque eu sou persistente", explica. Ela estava internada em outro prédio do HC e não pôde ir até o ambulatório. Com a mudança física, algumas especialidades também apresentaram problemas de informática. Humberto Magnabosco, de 70 anos, até se dispôs a aguardar o sistema voltar ao ar, depois que a atendente afirmou não poder imprimir o resultado dos exames de sua filha. "Mas ela disse que o sistema não ia voltar tão cedo, e me mandou ligar na semana que vem", conta. Jonas David Caetano da Silva, de 34 anos, perdeu a paciência com o HC às 13 horas, mais de cinco horas depois de chegar ao local. Ele passou pela consulta na cirurgia geral, mas, na hora de marcar retorno, foi informado de que o computador no local não estava funcionando. "Me mandaram para outro lugar e tive de pegar uma senha para conseguir a filipeta", contou. A raiva aumentou quando, após uma hora de espera, ele acabou cochilando e, por dois números, perdeu sua vez. Quem foi marcar consulta pela primeira vez também visitou vários guichês até conseguir uma resposta. Desempregada, solteira e morando sozinha, Solemar Spirlandeli, de 21 anos, descobriu há duas semanas que está grávida de cinco meses. "Estava fazendo um tratamento para um cisto que tinha no ovário pela rede particular e tomava um remédio, estranhei quando comecei a perder muito peso", disse. Dois dias antes do incêndio, Solemar seguiu a orientação oficial e ligou para o call center do HC, que distribui os casos de acordo com a demanda entre os hospitais da rede estadual. No dia seguinte ao incêndio, ligou novamente e foi mais uma vez orientada a ir até o HC. "Cheguei aqui, me mandaram para cinco lugares e depois disseram que eu precisava ser encaminhada por um médico e que eles só atendiam gravidez de risco." Sem dinheiro para continuar pagando pelo convênio e hoje pesando 47 quilos, ela deixou o HC em busca de um posto de saúde sem saber exatamente o que fazer. "Não tomei uma vitamina e fumei sem saber que estava grávida." Mesmo quem tinha exame marcado acabou não sendo atendido. "Cheguei aqui para fazer o exame de sangue e me disseram para voltar na sexta-feira, sem me explicar", disse a secretária Fabiane Xavier, de 27 anos. Por outro lado, Tereza Loturco de Moraes, de 61, foi remarcar o exame do dia 11 e acabou sendo atendida ontem mesmo. "Em oito anos, isso nunca tinha me acontecido." INFORMAÇÕES ÚTEIS Consultas e orientações: em caso de dúvidas sobre o que está funcionando no HC, os pacientes podem procurar o Núcleo de Comunicação do Hospital das Clínicas pelos telefones 3069-6710, 3069-7048 ou 3096-6246. Mais informações no site: www.hcnet.usp.br Farmácia: A distribuição de medicamentos volta ao normal hoje. Até semana passada, só pacientes crônicos conseguiam retirar remédios Sangue: As doações podem ser feitas nas unidades da Fundação Pró-Sangue, nos Hospitais do Mandaqui, na zona norte, e Dante Pazzanese, na zona sul Contatos com os setores: Ginecologia: 3069-7621 Oftalmologia: 3069-7873 Urologia: 3069-8080 Dermatologia: 3069-8002 Neurologia: 3069-6106 Obstetrícia: 3069-6355 Cirurgia plástica: 3069-7568 Otorrinolaringologia: 3088-0299N Ana Carolina Moreno
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