Sabendo

Lacre em latinhas vira disputa judicial
Sexta-Feira, 04/01/2008, 01:14am (GMT-12)

A briga entre a Cervejaria Petrópolis, dona das marcas Itaipava e Crystal, e as entidades que representam o setor de bebidas em torno do lacre de alumínio usado nas latinhas de cerveja foi parar na Justiça. As entidades - o Sindicato Nacional da Indústria de Cerveja (Sindicerv) e a Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes (Abir) - dizem que a utilização do lacre não garante higiene maior para o consumo. A higiene é exatamente o motivo apresentado pela Petrópolis para defender a utilização do lacre.

Com o argumento de que deveriam alertar o consumidor para a inutilidade do lacre, Sindicerv e Abir lançaram, há duas semanas, uma campanha publicitária ressalvando a necessidade de limpeza da lata antes de se ingerir o líquido, por causa do risco de contaminação por bactérias. As entidades fizeram isso baseadas em laudo do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea), entidade sem fins lucrativos e que teve o estudo patrocinado pela AmBev, dona das marcas Skol, Brahma, Antarctica e Bohemia.

Sentindo-se atingida pela iniciativa, a Petrópolis entrou com ação na Justiça e conseguiu, na 34ª Vara Cível de São Paulo, uma primeira vitória. Obteve uma liminar contra a veiculação da campanha, que já foi suspensa até que seja julgado o mérito da ação. A empresa questiona a veracidade do laudo que embasa a campanha.

"A juíza também teve dúvidas sobre a exatidão do estudo que afirma haver contaminação por bactérias com o uso do selo", disse o gerente-jurídico da Petrópolis, Jaime Tronco. "Nós temos um outro, feito pela USP, que mostra o contrário."

"Mas a juíza não questionou a campanha, apenas quer entender melhor o laudo", disse o superintendente do Sindicerv, Marcos Mesquita. Segundo ele, as entidades entraram com recurso no Tribunal de Justiça, por acreditarem que o laudo do Cetea é suficiente para provar a tese que defendem.

A AmBev informou ter encaminhado o estudo às entidades ao concluir que o lacre não acrescenta benefício algum. A empresa diz que há mais de 40 projetos de lei tornando o selo obrigatório, o que, na visão dela, encareceria o produto e geraria um passivo ambiental extra.

DISPUTA

Campanha:
Baseadas em um estudo do Cetea, patrocinado pela AmBev, que diz que o uso do lacre de alumínio nas latinha pode provocar a contaminação por bactérias, Sindicerv e Abir lançaram, há duas semanas, uma campanha publicitária ressalvando a necessidade de limpeza da lata antes de se ingerir o líquido

Reação: Sentindo-se prejudicada pela campanha, a Cervejaria Petrópolis conseguiu na Justiça uma liminar contra a sua veiculação. A Petrópolis afirma ter um estudo feito pela USP que mostra que a utilização do lacre de alumínio garante maior higiene para o consumo de bebidas