Sabendo

Mãe diz que ouviu filho gemer durante a tortura
Quarta-Feira, 19/12/2007, 01:08am (GMT-12)

 

Elenice Silveira Rodrigues, 49 anos, mãe do adolescente morto após suposta tortura de PMs, no sábado, em Bauru, a 343 Km de São Paulo, disse que ouviu os gemidos do filho vindos de dentro do quarto enquanto ele era interrogado por policiais militares que entraram em sua casa. "Eles falavam que (o que estava acontecendo dentro do quarto) era um procedimento normal da lei. Mas ouvia meu filho gemendo", segundo o jornal Folha de S.Paulo.

A mãe diz ter certeza que os PMs torturaram seu filho. "O que eles fizeram foi muita brutalidade, foi bárbaro. Tenho certeza de que torturaram. Eu vi no velório, os dedos quebrados".

Elenice conta que, na noite do crime, seis policiais entraram na sua casa. Segundo ela, eles chegaram por volta das 3h da manhã. Todos estavam dormindo. "Eles bateram na porta com muita violência e gritaria. Um ficou na sala com a gente e outros cinco foram para o quarto e fecharam a porta." A versão da mãe desmente o que o advogado do tenente José Roberto Spoldari afirmou: que apenas dois policiais permaneceram no quarto o tempo inteiro.

Ela disse que ouvia os policiais perguntarem: "cadê a arma, vagabundo, cadê o capacete?" "Em meio aos barulhos de batidas, o filho respondia: "não sei, senhor"."

A irmã, Débora Rodrigues, 26 anos, que também vive na casa, contou que olhou o relógio do celular no momento em que os policiais levaram Carlos para o hospital, que registrava 4h11. Elas garantem que os policiais ficaram cerca de uma hora no local, o contrário do que o advogado de defesa do tenente afirma.

Elenice garante que o filho nunca teve passagem pela polícia e nem envolvimento com drogas. Confirma ainda que o jovem levou uma moto para casa na noite de sexta-feira. "Por volta das 23h escutei um barulho de moto. Ele disse que a moto era de um colega dele e que eles iam sair para dar uma volta na avenida e depois ele pegava."

Ela conta que nunca teve medo de policiais antes do crime e que acreditava que eles estavam cumprindo o dever. "Nunca vi policiais com maus olhos. Agora peguei medo".