Sabendo

Ex-noivos são enterrados no mesmo cemitério
Quarta-Feira, 21/11/2007, 04:37am (GMT-12)

Os corpos de Evellyn Ferreira Amorim, de 18 anos, e Gilmar Leandro da Silva, de 23, foram velados e sepultados a poucos metros de distância, ontem à tarde, no Cemitério Municipal da Praia Grande, na Baixada Santista. Anteontem à noite, a mãe de Gilmar pediu perdão à família da jovem. O motoboy assassinou a ex-noiva e depois se matou. Ele a manteve refém durante 12 horas na farmácia onde ela trabalhava.

Além de parentes e amigos da jovem, muita gente que acompanhou pela mídia a tragédia foi ao cemitério. Curiosos fizeram fila para se despedir de Evellyn. Cinco guardas municipais controlavam a entrada na sala. Segundo eles, mais de mil pessoas passaram pelo velório. No de Gilmar, não houve filas nem guardas.

A mãe dele, Célia Maria da Silva, disse a parentes que preferia enfrentar só a morte do filho a ter de sofrer também com o assassinato da moça. "Nós amávamos a Evellyn", disse Joana da Silva, de 20 anos, irmã de Gilmar. Joana foi à sala onde o corpo da jovem era velado e ficou abraçada com a mãe de Evellyn, Rosecleide. "Gilmar sempre foi uma pessoa boa", disse o pai da moça, Marcelo Cláudio Amorim, de 38 anos. "Não dá para explicar."

Rosecleide ficou ao lado do corpo, quieta. Quando o caixão foi fechado, às 16h30, gritou: "Evellyn, eu te amo." E saiu do cemitério carregada. Uma irmã da jovem desmaiou antes do sepultamento. O corpo de Gilmar foi enterrado uma hora e meia antes. A irmã Samanta, de 14 anos, chorou o tempo todo.

Evellyn e Gilmar se conheceram em um aniversário, quando ela tinha 13 anos e ele, 18. No começo, o namoro foi às escondidas, porque a moça sabia que não teria o apoio dos pais. A amiga Juliana dos Santos chegou a se fingir de namorada de Gilmar para que ninguém desconfiasse. "Se pudesse voltar atrás", dizia, no velório. O casal brigava muito por causa de ciúmes. No início do ano, Evellyn terminou o namoro e passou a ser ameaçada por Gilmar.
Naiana Oscar e Rejane Lima