O vendedor de carros Sinval Fernando Tolentino Leite, de São José dos Campos, foi ouvido ontem por policiais da 5ª Delegacia Seccional da capital, que investigam extorsão ao padre Júlio Lancellotti. Ele contou que vendeu pelo menos quatro carros para Anderson Marcos Batista e Conceição Eletério, presos sob acusação de achacar o religioso. Disse ainda que Batista sempre pagou em dinheiro e à vista - e chegou a emprestar uma caminhonete Hilux para os dois.
"A única coisa que fiz foi comprar o carro antigo dele", contou Leite. O empresário disse ter conhecido o casal há cerca de três anos. Depois, teriam trocado de carro na mesma loja por duas ou três vezes. "Não me lembro exatamente. O que sei é que sempre estavam juntos, pagavam à vista, em dinheiro ou no máximo em duas vezes, num acordo com a loja."
Em julho deste ano, a concessionária fez um acordo com Batista e Conceição. "Meu pai emprestou a Hilux que está em meu nome. Eu estava de férias, no Nordeste, e meu pai não teve dúvida, porque eram clientes conhecidos", justificou. O documento do carro foi encontrado pela polícia no apartamento em que o casal foi preso em 26 de outubro, na capital.
Já sobre o Audi ASZ-5055, placa de São Paulo, envolvido em roubo forjado de um estacionamento na Avenida Celso Garcia, no Pari, o vendedor afirmou não ter feito negócios. Para a polícia, Leite disse que o carro foi comprado por meio de um site na internet. "Nunca vi esse Audi, que foi comprado em São Paulo, e não aqui", disse ao Estado.
O Audi, que estava no nome de Conceição, foi roubado em novembro e vendido em janeiro, segundo dados da polícia. Após o roubo, Conceição entrou com ação na Justiça pedindo indenização ao estacionamento.
Nelson Bernardo da Costa, advogado que defende Batista e Conceição, disse ontem que a ação foi movida porque a garagem não teria seguro. "Só sei que tem uma ação cível a esse respeito. Não tem mais nada."