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Dengue comum mata mais que a hemorrágica no Estado de São Paulo

A dengue clássica matou neste ano, no Estado de São Paulo, mais pessoas do que a dengue hemorrágica. De janeiro até agora, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, foram registradas 18 mortes pela forma clássica e 16 pela hemorrágica. Esses dois números chamam a atenção porque as mortes por dengue costumam ser associadas à forma hemorrágica. Mortes em decorrência da dengue clássica são menos freqüentes.

O vírus da dengue tem quatro subtipos. A pessoa que se infecta pela primeira vez adquire a dengue clássica. Curada, ela ganha imunidade contra esse subtipo específico, mas não contra os outros três. Quando ocorre uma segunda infecção, a doença se manifesta de maneira mais violenta e pode até matar - é a febre hemorrágica.

Na avaliação do médico Luiz José de Souza, diretor do Centro de Referência da Dengue, de Campos dos Goytacazes (RJ), o alto número de mortes por dengue clássica em São Paulo pode estar relacionado à disseminação no Estado do subtipo 3 do vírus, que é mais agressivo que os demais, e à falta de preparo dos médicos para identificar a doença corretamente.

"Os médicos, de uma forma geral, confundem a dengue com uma virose qualquer, já que os primeiros sintomas são basicamente febre e dor de cabeça, no corpo e nos olhos", explica. O fato de a febre passar, continua ele, não significa que a pessoa se curou. Logo em seguida aparecem outros sintomas, mais graves, como dor abdominal e queda na pressão arterial.

Das 34 mortes ocorridas neste ano em São Paulo, a maior parte, 15, foi registrada no mês de março.

Embora ainda não tenha terminado, 2007 já é o ano com o maior número de casos de dengue da história de São Paulo. Até agora, foram contabilizadas 78,6 mil pessoas infectadas. O recorde anterior era de 2001, quando houve 51,7 mil casos de dengue no Estado.

A secretaria diz, no entanto, que a situação não está fora de controle. Afirma estar trabalhando com as prefeituras para combater os focos do mosquito transmissor e para fazer o diagnóstico correto da doença.
Ricardo Westin

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