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Parentes de vítimas da violência em favelas contaram que o relator da Organização das Nações Unidas (ONU) para análises de casos de execuções sumárias, Philip Alston, ficou surpreso ao colher depoimentos, nesta quarta-feira, na Universidade Cândido Mendes, no centro do Rio de Janeiro. Ele ouviu os familiares separadamente em uma sala da instituição.A maioria dos parentes não quis se identificar com medo de algum tipo de represália. No entanto, Márcia de Oliveira Jacino, mãe de um adolescente de 16 anos que teria sido morto por PMs, no morro do Gambá, em Lins de Vasconcelos, na zona norte da capital fluminense, resolveu quebrar o silêncio. Ela confirmou que a maiorias das pessoas percebeu uma reação de surpresa por parte do representante da ONU. "Ele ficou surpreso sim. Talvez pelo fato de muitas pessoas de lugares diferentes terem contado histórias semelhantes. E nós (os parentes de vítimas de violência) não nos conhecíamos. Ele não pode nem pensar que se trata de uma grande mentira", disse. Márcia garantiu que o filho não tinha envolvimento com o tráfico de drogas. "Meu filho foi morto porque os policiais pegaram um rapaz qualquer para mostrar aos bandidos o que poderia acontecer com quem não pagasse a propina", destacou. Luciene da Silva, mãe de Rafael Silva Couto, um dos 29 assassinados por policiais em Nova Iguaçu, quando tinha 17 anos comentou que a vinda do relator da ONU para investigar as mortes no Complexo do Alemão está relacionada ao fato de terem sido 29 as vítimas. "Ainda acontecem execuções na Baixada. Existem outros grupos de extermínio, que precisam ser descobertos e investigados. Precisamos continuar lutando para que isso não aconteça mais", disse. Isaldita Santos da Silva, outra mãe que compareceu à reunião, perdeu o filho Fábio Eduardo Santos há quatro anos, quando ele estava na 8ª série do Ensino Fundamental e foi detido por policiais em uma blitz. "Lá na Baixada todos estão envolvidos com grupos de extermínio. Vereador, prefeito, todos. E direitos humanos não existem para pobres, só para ricos", denunciou. O relator da ONU também esteve, nesta quarta-feira, com representantes dos governos estadual e federal, além de presidentes de ONGs e parentes de vítimas da violência, na PUC do Rio de Janeiro, na Gávea, na zona sul da cidade. Na ocasião, ele recebeu um relatório com críticas sobre a política de segurança do confronto nas favelas, adotada pelo governador Sérgio Cabral. Philip Alston está no Brasil desde final de semana passado para fazer um relatório sobre a atuação das polícias no país. Ele já passou por São Paulo e deve ficar no Rio até o dia 10. Nesta quinta-feira, o relator da ONU tem um encontro com deputados estaduais que integram a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa Fluminense. Alston informou que o relatório deve ficar pronto entre março e abril de 2008. Ernani Alves
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