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Rio: risco em encostas ameaça 157 mil motoristas

Um diagnóstico realizado pela Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro (Geo-Rio) identificou 32 pontos de risco em encostas da capital fluminense, com pelo menos 6.505 pessoas vivendo sob ameaça de desabamento. Conforme o levantamento, 157.581 motoristas se arriscam ao passar por estradas e túneis da cidade. A avaliação é de que as obras de estabilização e drenagem; as remoções de moradias; o reflorestamento e a delimitação da área ocupada custariam aproximadamente R$ 26,4 milhões.

Na terça-feira, o túnel Rebouças, que faz a ligação entre as zonas norte e sul do Rio de Janeiro, foi fechado devido a deslizamentos de terra que encobriram boa parte da entrada de uma das galerias. As fortes chuvas que atingiram a cidade teriam provocado o acúmulo de água na encosta e facilitado o deslizamento.

O estudo aponta que as avenidas Niemeyer e Grajaú-Jacarepaguá, além dos túneis Zuzu Angel e Noel Rosa, são os pontos que mais inspiram cuidado, principalmente em dias de temporais.

"Passar na Grajaú-Jacarepaguá é visivelmente arriscado. Há vários pontos de insurgência de água. É preciso ver se ocorrem também em tempo seco", afirmou o professor do Departamento de Engenharia Civil da PUC-Rio Alberto Sayão.

"As construções irregulares também são fator de risco. É necessário priorizar a retirada dessas construções das bocas dos túneis e de locais íngremes", completou.

O secretário municipal de Obras, Eider Dantas, admitiu na sexta-feira que a remoção, nesses locais, é urgente e deveria ter a parceria do Estado. "Assim que resolvermos o problema no Rebouças, faremos um estudo detalhado de possíveis impactos, com especial atenção ao Zuzu Angel, na Gávea e ao Noel Rosa, em Vila Isabel, que eu considero os mais vulneráveis", afirmou o secretário.

O motorista que transita pelo túnel Noel Rosa percebe o risco quando grossos pingos de água despencam sobre o pára-brisa do carro. Para Sayão, a remoção é a única saída nessas encostas. "Obra de reurbanização como o Favela-Bairro só fazem aumentar a ocupação", atestou.

Projetos
Em junho deste ano a Prefeitura do Rio de Janeiro iniciou a elaboração de dez projetos de engenharia dos 32 pontos listados em fevereiro de 2006. Eles levaram de oito a dez meses para serem concluídos.

As localidades do Montante e do Morro do Encontro, na estrada Grajaú-Jacarepaguá, estão entre as priorizadas, assim como Vila Verde, na Rocinha; e a Grota do Alemão, no Morro do Borel.

A prefeitura recebeu R$ 240 mil do Ministério das Cidades para a elaboração dos projetos. Só depois de prontos, serão pleiteados recursos para a execução das obras.

Para o engenheiro Alberto Sayão, a falta de recursos faz com que a Geo-Rio invista apenas nas obras emergenciais. "Há 10 anos, a Geo-Rio investia em pesquisa. É preciso que haja recursos para buscar novas tecnologias, aumentar as vistoria e a prevenção", recomendou.

Simulador
A avaliação visual utilizada atualmente poderia ter sido substituída pela inteligência artificial na prevenção dos deslizamentos no Rio de Janeiro. A tecnologia desenvolvida pelo engenheiro Fabio Teodoro de Souza permite prever com 90% de precisão os riscos de deslizamentos.

A cada 15 minutos, o modelo avalia o nível de chuva em 30 áreas da cidade e se há ou não ameaça. Ele foi elaborado em uma tese de doutorado pela Coordenadoria de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe-UFRJ), defendida em 2004.

Criado especificamente para a capital fluminense, o sistema aproveitou os dados da Geo-Rio sobre escorregamentos, cobertura vegetal, tipos de solo e índices pluviométricos. "O trabalho foi apresentado a governos e instituições. Mais de três anos depois, nenhum contato foi feito para estabelecer alguma forma de colaboração", lamentou Souza.

redação

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