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Ministério Público quer anular licitação para contratar agência de publicidade no RS

Ministério Público quer anular licitação para contratar agência de publicidade no RS
Publicidade
GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre

O governo do Rio Grande do Sul e o Ministério Público do Estado travam uma disputa judicial em torno de licitação de R$ 93 milhões para a contratação de agências de publicidade para as estatais gaúchas.

No governo do Rio Grande do Sul, a área da publicidade está sob a órbita de influência de Carlos Crusius, marido da governadora Yeda Crusius (PSDB) e presidente do Conselho de Comunicação.

O cargo não é remunerado, mas Carlos Crusius tem poder na definição da política de comunicação do governo.

O MP, que pediu na Justiça a anulação do certame, considera que a licitação tira poder das estatais e o concentra no Palácio Piratini (sede do governo), já que unificou no edital a disputa pelos contratos de estatais com áreas de atuação bastante distintas: Banrisul, CEEE (companhia de energia), Corsan (saneamento), Daer (obras) e Detran.

O promotor Felipe Kreutz, responsável pela ação civil pública que pede a anulação da licitação, aponta uma série de irregularidades, como a previsão de contratar as seis primeiras colocadas e a comissão de licitação ser majoritariamente composta por ocupantes de cargos de confiança (servidores não concursados) --o que é vetado pela lei 8666/93, que rege as licitações. Crusius não compõe a comissão de licitação.

Segundo Kreutz, também há indício de violação do princípio da impessoalidade na gestão pública em uma das diretrizes estabelecidas pela comissão: a que afirma que a publicidade de governo deveria ter como um de seus focos o reequilíbrio financeiro, um dos compromissos de campanha de Yeda.

Na segunda-feira, a Procuradoria Geral do Estado protocolou na 3ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre uma defesa da licitação, contestando os argumentos da Promotoria. O governo nega que as diretrizes firmadas no edital firam a legislação que regula as licitações, e pede a manutenção do edital.

A secretária estadual de Transparência e Combate à Corrupção, Mercedes Rodrigues, não quis fazer comentários sobre o teor da defesa do governo nem sobre as objeções levantadas pelo promotor.

"Como a questão está sub judice, nós vamos aguardar a manifestação do juiz para cumprir a decisão judicial e verificar as repercussões que ela tenha na administração", afirmou ontem a secretária, após reunião sobre a licitação com o governador interino Paulo Feijó (DEM), substituto de Yeda, que está em viagem à Holanda. Carlos Crusius não foi encontrado pela reportagem.


Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u435495.shtml


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