Realizadas com pouco mais de um mês de distância, duas pesquisas feitas pelo Ibope mostraram resultados distintos na simulação de 2º turno para a Prefeitura em 2008. Na primeira, realizada entre 10 e 14 de novembro, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vencia a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), por 47% a 38%. No segundo estudo, de 15 a 18 de dezembro, Kassab marca 12 pontos abaixo do índice anterior e é vencido por 46% a 35%. Segundo o Ibope, uma hipótese para a diferença é o fato de que, na primeira pesquisa, perguntas sobre eleição foram feitas depois de questões que tratavam da imagem do prefeito e do governo.
O levantamento de novembro foi feito a pedido da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), da qual Kassab é um dos vice-presidentes. Nela, foram ouvidas 805 pessoas, e a margem de erro foi de três pontos porcentuais, para mais ou para menos. A pesquisa de dezembro foi feita para a TV Globo, com 602 pessoas e margem de erro de 4 pontos.
Em um 2º turno do ex-governador Geraldo Alckmin contra Kassab, o tucano vence nas duas pesquisas, mas também há diferenças. Em novembro, o placar era 44% a 34%. Em dezembro, Alckmin está com 56% e o prefeito, com 22%. Em outro cenário comum às duas pesquisas, entre Alckmin e Marta, a diferença é de um ponto. O tucano vence por 51% a 39% em novembro e por 50% a 38% em dezembro.
Em nota, o Ibope informou que a pesquisa de novembro continha, antes das perguntas sobre intenção de voto, outras oito questões. Elas abordavam o entrevistado sobre sua satisfação com o futuro de São Paulo; como ele avaliava a gestão Kassab; que nota dava ao prefeito (de zero a 10); se aprovava ou não a forma como o democrata administra a Capital; como comparava a gestão dele com as de Marta, José Serra e com as próprias expectativas, além de pedir que a pessoa citasse espontaneamente ou indicasse em uma lista obras e realizações da administração. “Essas perguntas podem ter influenciado os resultados obtidos sobre intenção de voto, principalmente nas simulações de 2º turno, devido ao caráter plebiscitário da questão”, diz a nota.
Segundo a diretora do Ibope, Márcia Cavallari, a ordem de perguntas foi adotada para permitir comparação com outra pesquisa feita para a ACSP em julho. “O objetivo era fazer diagnóstico sobre a atual gestão; como a pesquisa de julho não tinha perguntas eleitorais, optamos por manter o questionário na mesma ordem para não perder comparabilidade nas questões administrativas.” Ela alega que a posição da pergunta “sempre pode exercer influência”. “Não se sabe de antemão o tamanho do efeito”.
A diretora diz que, no 1º turno, apesar de as listas das pesquisas não serem as mesmas, não houve grandes diferenças. “O efeito parece ter ocorrido no 2º turno. Após ter respondido oito perguntas iniciais, o eleitor pode ter feito escolha mais pragmática nas simulações que contemplavam o nome do prefeito.”