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Brasil » Política 

'Tenho ojeriza à palavra pacote', diz Lula sobre fim da CPMF

Lula durante café da manhã com jornalistas

Celso Junior/AE

Lula durante café da manhã com jornalistas

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou, em entrevista gravada para as emissoras de rádio e TV, que a sociedade brasileira deve ficar tranqüila, que o governo não tomará medidas para compensar a perda de arrecadação, com o fim da CPMF, que signifiquem retrocesso nas conquistas do governo. "Todo mundo sabe que tenho ojeriza à palavra pacote, porque o Brasil, ao longo de décadas, fez dezenas de pacotes que não deram em nada", afirmou. "Prefiro tomar medidas individuais, cada uma no momento certo, conversando com os interlocutores para que a gente possa acertar", acrescentou.

 

 

Segundo ele todos tem clareza que a perda de R$ 40 bilhões, valor estimado com a arrecadação da CPMF, é um problema para o governo. "Vamos encontrar com tranqüilidade um jeito para suprir aquilo que o Estado não tem condições de arrecadar, mas sempre conversando com as pessoas".

 

 

Na avaliação do presidente, o Brasil está "infinitamente melhor" que na época em que assumiu o governo. "O presidente que me suceder terá ainda mais tranqüilidade para trabalhar", disse.Ele fez um apelo para que os partidos da oposição e da base do governo negociem propostas que beneficiam o País. "É importante que todo o mundo tenha bom senso e compreensão e não permita que em hipótese alguma as divergências políticas e partidárias atrapalhem o País".

 

Na avaliação do presidente, o Brasil não vive mais períodos de instabilidade na economia. "Ninguém se assusta mais com nossas divergências, e ninguém mais fala em fuga de capitais, crise econômica, desastre e quebra do país". Lula chegou a comparar o momento que o Brasil atravessa a uma casa onde toda a família tem trabalho e salário. "Assim é possível sentar à mesa e discutir o presente e a ceia de Natal".

 

Área de saúde emperrada

 

Lula afirmou também que todos os Programas de Aceleração do Crescimento (PACs) vão sair do papel. "Eu assumi o compromisso", disse. Ele reconheceu, no entanto, que as medidas anunciadas no Planalto na área de saúde estão emperradas pelo fim da CPMF. "O PAC da saúde está travado por causa da CPMF".

 

A uma pergunta se estava preocupado com porcentual de execução do orçamento da saúde, respondeu: "Vai gastar, vai gastar".

 

Sobre as medidas a serem adotadas para enfrentar as restrições orçamentárias provocadas pelo fim da CPMF, comentou: "se tiver gordura para tirar, a gente faz um regime cetônico e vai retirando essas gordurinhas".

 

 

Medo de morrer

 

Bastante descontraído no café da manhã com os jornalistas que fazem a cobertura da Presidência da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a fazer uma inconfidência. No dia em que o ministro da Justiça, Tarso Genro, desmaiou, durante uma solenidade em La Paz, ele teve medo de morrer. "Eu dormi de luz acesa e porta aberta, com medo. Alguém ia me ver. Pela primeira vez, eu tive medo de morrer", contou.

 

Ele relatou que quando viu Tarso Genro desmaiar, pensou que o ministro tinha morrido. Tarso Genro sentiu mal por causa de problemas com a altitude.

 

No café da manhã, Lula estava bastante tranqüilo. Serviu-se de duas rodelas de abacaxi e uma fatia de mamão. Tirou fotos com os jornalistas. No final da conversa, ele gravou mensagem de Natal e respondeu algumas perguntas.

Leonêncio Nossa

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