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Bate-boca entre Simon e Virgílio marca sessão da CPMF

BRASÍLIA - Um bate-boca entre os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Arthur Virgílio (PSDB-AL) marcou a sessão de encaminhamento da prorrogação da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPFM), já nos primeiros minutos desta quinta-feira, 12. Depois de seis horas de sessão relativamente tranqüila, os dois parlamentares protagonizaram um duelo verbal duro.

 

A confusão começou quando Simon foi à tribuna para pedir ao plenário que aceitasse o adiamento da votação da CPMF para o início da tarde. A alegação de Simon foi a proposta do Planalto, enviada depois das 22 horas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se comprometendo a transferir integralmente os recursos do imposto do cheque para a área da Saúde. No rastro do pedido, porém, Simon aproveitou para, de maneira ríspida, reclamar de Virgílio uma cobrança feita pelo senador tucano.

 

Virgílio queria que Simon dissesse, de público, se iria votar contra a CPMF, como prometera semanas atrás. Durante a votação da emenda constitucional na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Simon votou com o governo, rejeitando o parecer da relatora, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que propôs o fim da CPMF - por ordem da liderança peemedebista, o senador gaúcho havia sido afastado da CCJ. Foi a pressão política de senadores de vários partidos que lhe devolveu a cadeira.

 

Para mostrar que a votação na CCJ havia sido mera formalidade, Simon chegou a divulgar uma carta assegurando que, no plenário, votaria contra a CPMF. Nos bastidores, os senadores sabiam que Simon havia, na verdade, decidido atender a um pedido da governadora Yeda Crusius (PSDB), favorável à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira.

 

Na sessão plenária da madrugada desta quinta-feira, Simon disse que não admitia ser cobrado por Virgílio sobre a posição dele em relação à CPMF. E emendou: "Já fazia política com seu pai quando vossa excelência não tinha nascido". Reforçando o pedido de adiamento da votação da CPMF, Simon acrescentou: "Não podemos fazer aqui vitória de pirro. Ganhe quem ganhar, vamos levar essa decisão para daqui 11 horas", afirmou, dirigindo-se sobretudo ao líder tucano, Arthur Virgílio.

 

Virgílio pediu a palavra. Fez um discurso duro contra Simon, afirmando que o colega de parlamento "não está acima do bem e do mal, não é melhor do que ninguém e que não deveria arrumar desculpas para mudar seu voto e decidir pela aprovação da CPMF". Referindo-se ao Planalto, disse: "Não vai ser um telefonema da Casa Civil que vai fazer a gente mudar o voto".

 

Os ânimos se exaltaram e Virgílio, que teve a palavra cassada pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), propôs a Simon a continuidade do debate nesta quinta-feira. "Solicito tranqüilidade", bradou Garibaldi. Meia hora depois do bate-boca, Virgílio pediu a palavra e anunciou que daria um abraço em Simon, na frente de todos, em plenário, para se desculpar pela rispidez dos discursos.

Ana Paula Scinocca e Marcelo de Moraes

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