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'PSDB não negocia mais CPMF', diz presidente tucano

BRASÍLIA - O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, afirmou nesta quinta-feira, 6, que o partido não negocia mais com o governo a prorrogação da CPMF. "Só tratamos desse assunto internamente. Com o governo nós já encerramos esse assunto", afirmou Guerra na chegada ao Ministério da Fazenda, para uma reunião na Receita Federal. O senador tucano disse que se a votação da CPMF fosse hoje, no Senado, o governo "seguramente" perderia.

 

"O governo tem uma base grande, mas não tem voto", afirmou Guerra. Ele disse que o PSDB não se preocupa com o que vai acontecer se a CPMF não for prorrogada. Segundo ele, o governo tem excesso de arrecadação e o que falta é gerenciamento. "O governo gasta demais, gasta mal e faz investimentos de menos", criticou. Para Guerra, o governo precisa dar eficiência aos gastos e controlar a máquina pública. "O Brasil tem condições reais e financeiras de viver sem a CPMF", disse.

 

Guerra chegou ao Ministério da Fazenda, acompanhado do ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência no governo FHC, Eduardo Jorge. Guerra contou que a Receita Federal está fazendo fiscalização em todos os partidos políticos e que o PSDB vai ao órgão tratar do assunto. Questionado se havia abusos na fiscalização ao PSDB, o senador afirmou que não e disse que a fiscalização atinge inclusive o partido do governo, o PT.

 

Mais dúvidas que certezas

 

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio, reconheceu nesta quinta-feira, 6, que o governo ainda não tem absoluta certeza dos votos para aprovação da emenda constitucional que prorroga a cobrança da CPMF. "Nenhum dos dois lados, governo e oposição, tem absoluta certeza dos votos", disse Múcio, ao chegar ao Ministério da Fazenda para continuar as negociações com o ministro Guido Mantega. Eles estiveram reunidos até as 0h15 desta quinta.

 

O ministro ponderou, no entanto, que o governo está otimista. "Os senadores com quem temos conversado todos têm se manifestado preocupados com a necessidade de aprovação da CPMF", disse Múcio. Ele reconheceu, no entanto, que o governo precisa negociar mais para conseguir os votos necessários. "O mundo real diz que precisamos trabalhar mais", disse Múcio.

 

Questionado se o governo tem somente 47 votos favoráveis à CPMF, o ministro disse: "Este número não temos com absoluta certeza". Ele afirmou também que os próximos dias serão decisivos para "quem deseja ajudar o Brasil e quem não deseja".

 

Múcio não quis revelar os nomes dos senadores com quem o governo está conversando para alcançar o placar necessário para aprovação da CPMF. E justificou: "Não estamos expondo ninguém porque as conversas não foram conclusivas". Segundo ele, a inquietude é dos dois lados, da oposição e do governo.

 

Ele disse que espera que a emenda seja votada em primeiro turno na próxima terça-feira, 11. E a uma pergunta se o governo estaria desesperado, Múcio respondeu: "Nunca. Temos que ter tranqüilidade". O ministro ressaltou que o governo não tem plano B de medidas para a eventualidade de perder a votação da CPMF. "Plano B é vencer", disse.

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes

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