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Aliados querem atrasar votação do imposto do cheque

 

Sem ter ainda os votos necessários para aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011 no Senado, o governo quer adiar a votação no plenário para a semana que vem e, assim, ganhar tempo para tentar convencer oposicionistas e dissidentes da base aliada. "O feeling é que a votação seja apenas na semana que vem. Provavelmente, não será nesta quinta-feira", admitiu o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), que tinha como plano original votar a emenda amanhã.

O problema é que as contas do governo ainda indicam que não foram obtidos os 49 votos necessários - como é uma emenda constitucional, precisa ter o apoio de três quintos da Casa, em dois turnos de votação. A arrecadação anual da CPMF é de cerca de R$ 40 bilhões.

Para complicar, a renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado acelerou o calendário de sua sucessão. O governo queria evitar a mistura dos dois assuntos, para impedir que a sucessão dificultasse a votação da CPMF. "Hoje, o governo não tem os votos de que precisa para aprovar a CPMF. A eleição da presidência do Senado dá mais um condimento contra o governo na discussão", disse o líder do DEM, José Agripino Maia (RN).

Outro problema é que o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), pretende se abster na votação da CPMF, exceto no caso de empate, porque comanda as sessões. O governo contabilizava seu voto a favor.

Foi por perceber essas fragilidades que a oposição mudou de estratégia e passou a defender a votação imediata da CPMF e da sucessão na Casa. A avaliação é de que, com a combinação dos dois assuntos, o Planalto não conseguirá aprovar o imposto do cheque. "O governo não queria votar já na quinta-feira? Tudo bem, nós aceitamos", disse Agripino. "Acho que temos os votos que precisamos para derrubar a CPMF", avaliou o líder tucano, Arthur Virgílio (AM).

Na busca de mais tempo para negociar, o governo planeja derrubar até a próxima semana todas as emendas à CPMF apresentadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) - o relator é o próprio Jucá. Até lá, o Planalto espera ter garimpado os votos de que ainda precisa.
Marcelo de Moraes e João Domingos

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