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BRASÍLIA - Um ministro dos anos da repressão, uma carnavalesca que ganhou cinco campeonatos de escolas de samba, um cantor de rap, uma médica e um ex-homem forte da Rede Globo formam o conselho curador da nova TV Pública. Ao aprovar os 15 integrantes do grupo nesta segunda-feira, 26, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou mostrar que a programação da emissora não terá caráter partidário. "Não é uma TV do Lula ou da oposição", afirmou o ministro de Comunicação Social, Franklin Martins.
Principal articulador da criação da TV Pública, o ministro se irritou ao ser questionado pela imprensa sobre a inclusão na lista do nome do ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, que participou da reunião que aprovou na noite de 13 de dezembro de 1968 o AI-5, o ato que acabou com direitos civis, radicalizou a censura e mergulhou o País numa ditadura completa. "Os tempos são outros", afirmou Martins, que à época combateu o regime militar. "Não vai ser o Estadão que vai me dar lição de democracia."
Franklin Martins disse que o conselho é plural e representa diferentes setores e regiões. "É um ótimo conselho representativo, absolutamente plural", avaliou. A uma pergunta se a composição do grupo foi uma resposta do governo aos que especulam que a nova TV terá caráter partidário, o ministro respondeu que o presidente já negou essa hipótese diversas vezes. "O governo sempre disse que a TV não é a TV do Lula, mas não adianta, alguns setores têm dificuldades de entrar no debate."
O ministro disse que TV Pública começará a ser "percebida" em meados de março. A nova emissora vai juntar as grades da TVE e da TV Nacional. O Orçamento Geral da União em 2008 prevê R$ 350 milhões para a emissora. "A TV Pública será semelhante ao que existe nos Estados Unidos e na Europa", o ministro Franklin Martins. A Medida Provisória que cria a TV Pública ainda não foi votada pelo Congresso.
Veja a lista dos "fiscais" da TV Pública:
- Cláudio Lembo, ex-governador de são Paulo;
- Delfim Netto, ex-ministro e ex-deputado;
- José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, empresário;
- Rosa Magalhães, artista plástica e carnavalesca;
- Angela Gutierrez, empresária;
- Ima Vieira, museóloga;
- Isac Pinhata, professor indígena;
- José Martins, engenheiro e empresário;
- José Paulo Cavalcanti Filho, advogado e especialista em legislação de imprensa;
- Lúcia Braga, diretora da Rede Sarah de hospitais;
- Luiz Edson Fachin, professor da Universidade Federal do Paraná;
- Luiz Gonzaga Beluzzo, professor da Unicamp;
- Maria da Penha Maia, biofarmacêutica. É a cearense que inspirou a lei que aumenta as punições para agressões ás mulheres;
- MV BILL, cantor; e
- Wanderley Guilherme dos Santos, filósofo.
Além dos representantes da sociedade, o conselho ainda será integrado pelo próprio Franklin Martins, e pelos ministros Fernando Hadad (Educação), Gilberto Gil (Cultura) e Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia).
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