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Justiça do Pará anula julgamento de assassino de Dorothy Stang
Segunda-Feira, 17/12/2007, 01:46pm (GMT-12)

Dorothy Stang, assassinada em 2005

AE

Dorothy Stang, assassinada em 2005

BELÉM - A Justiça do Pará decidiu anular nesta segunda-feira, 17, o julgamento de Rayfran das Neves Sales,  o Fogoió, réu confesso do assassinato da missionária americana Dorothy Stang em fevereiro de 2005, na cidade de Anapu, interior do Estado. 

 

Rayfran havia sido condenado a 27 anos de prisão em julgamento encerrado em outubro deste ano, porém seu advogado recorreu alegando cerceamento da defesa e participação de jurados indevidos no júri. O novo julgamento deve ocorrer em 2008, mas ainda não tem data confirmada.

 

A missionária, de 73 anos, foi atingida por 9 tiros em uma emboscada em fevereiro de 2005, em Anapu. Ela tentava implantar um projeto de desenvolvimento sustentado com pequenos agricultores. Isso contrariava interesses de grandes fazendeiros, alguns acusados de grilagem e desmatamento.

 

No primeiro julgamento, em dezembro de 2005, o pistoleiro, por ter sido condenado a uma pena superior a 20 anos teve direito a novo júri. Em outubro passado, ele voltou a sentar no banco dos réus e recebeu sentença de 27 anos.

 

Desta vez, a falha que redundou na anulação do segundo julgamento foi da própria Justiça, que preferiu manter dois jurados impedidos, embora os advogados de Rayfran, antes da sessão, tivessem pedido que ambos fossem substituídos. O pedido foi indeferido pelo juiz Raimundo Flexa.

 

Rayfran está preso na penitenciária de segurança máxima de Americano, em Santa Isabel, na região metropolitana de Belém, juntamente com Vitalmiro Moura, Amair Feijoli da Cunha e Clodoaldo Batista, também envolvidos no crime. O fazendeiro Regivaldo Galvão, o Taradão, foi o único que ainda não foi julgado.

Carlos Mendes,