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Presa em cela masculina do Pará, L. tem sintomas de gravidez

 

BRASÍLIA - Presa durante 24 dias numa cela com mais de 20 homens e obrigada a fazer sexo em troca de comida, a menina L., de 15 anos, pode estar grávida. O exame de gravidez, feito pelo Instituto Médico Legal (IML) do Pará, deve ser divulgado na sexta-feira, 30. Pessoas que estão em contato com L., contudo, dizem estar preocupadas com a possibilidade de a menina estar esperando um filho. L., que se recusou a fazer o exame de gravidez vendido em farmácia, continua sentindo fortes enjôos.

Na terça-feira, 27, a perícia feita pela Polícia Civil do Pará com base na arcada dentária de L. atestou que ela tem "entre 15 e 16 anos", segundo a coordenadora do Programa Federal de Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, Márcia Ustra Soares, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Segundo Márcia, o laudo foi concluído na sexta-feira. "Foram construídas provas periciais. O diretor do IML declarou que ela tem entre 15 e 16 anos", afirmou a coordenadora.

Também na terça, a declaração do delegado-geral do Pará, Raimundo Benassuly, co-responsável pela selvageria praticada contra ela em Abaetetuba, causou polêmica e revolta. Em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado, ele chocou a platéia ao afirmar que a menina "tem algum problema mental" e por isso não teria reagido às barbaridades a que foi submetida.

"Essa moça certamente tem algum problema, uma debilidade mental, porque em nenhum momento manifestou sua minoridade penal", afirmou o delegado-geral. Ao tentar consertar a frase infeliz, Benassuly revelou que L. também foi violentada em julho, em mais uma das vezes que foi presa na mesma cela.

A governadora Ana Júlia Carepa (PT), que chegou à audiência pública logo depois da declaração de Benassuly, desautorizou o subordinado. "Não tem justificativa. Se alguém tentar justificar, é um absurdo", disse Ana Júlia, irritada, ao deixar o Senado para uma audiência com o presidente da República. No caminho para o Planalto, ela telefonou para Benassuly e cobrou explicações.

Mais tarde, Benassuly admitiu que L. já tinha sido violentada em julho. "Eu me expressei mal. Nossa preocupação é com o estado mental dela. Sou pai e tenho preocupação com isso. Em julho, a moça já sofreu violência sexual e pode ter se sentido constrangida em falar que era menor (em outubro) devido às violências que sofreu. Se o estado mental da moça foi abalado, agrava a pena dos responsáveis", afirmou. Benassuly disse que se referia a algum trauma e não a uma doença mental: "Me expressei de forma incorreta."

Luciana Nunes Leal

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