Sabendo

Oferta de emprego para jovens é menor do que há dez anos
Sexta-Feira, 14/09/2007, 07:07am (GMT-12)

A oferta de emprego para jovens abaixo de 25 anos no Brasil no ano passado foi pior do que em 1996. Tanto homens quanto mulheres foram prejudicados pelo encolhimento do mercado. Os dados são da Pnad 2006(Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada nesta sexta pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que também revelou que o desemprego é maior entre os escolarizados.

Na faixa de 15 a 17 anos, por exemplo, o nível de ocupação teve uma redução de nove pontos percentuais, caindo de 39% em 1996 para 30% em 2006.







No grupo de 18 e 19 anos, a queda foi de mais de três pontos, indo de 55,1% em 1996 para 51,8% em 2006.

Para os mais velhos, houve melhora na ocupação, o que ajudou no desempenho geral no nível de emprego.

Os que tinham entre 25 e 29 anos, por exemplo, viram sua participação subir de 72%, em 1996, para 74,9%, em 2006, no mercado de trabalho.

Na faixa de 40 a 49 anos, a participação foi de 73,5% (1996) para 77,2% (2006), numa alta de quase quatro pontos percentuais.

O grupo mais idoso, acima de 60 anos de idade, ficou estável, com 30,6% de nível de ocupação, tanto em 1996 quanto em 2006.

Desemprego é maior entre escolarizados
Os brasileiros com maior escolaridade têm mais dificuldade em encontrar trabalho do que aqueles com menor instrução. Segundo dados da Pnad 2006, a taxa de desocupação entre as pessoas com 11 anos de escola ou mais foi de 8,3%. Já entre aqueles com menos de um ano instrução, o índice foi de 4,1%.


Menos de 1 4,3% 4,1%
1 a 3 5,5% 5,3%
4 a 7 9,3% 8%
8 a 10 14,6% 13,1%
11 ou mais 9,2% 8,3%
Taxas de desemprego
Anos de estudo 2005 2006
VEJA ESPECIAL PNAD 2006
O quadro varia conforme os Estados. Em Roraima, por exemplo, a taxa de desocupação entre as pessoas com menos de um ano de escolaridade foi menor que 1,7%, enquanto no Rio de Janeiro o índice foi de 9,9%.

"Nos grandes centros, é muito mais difícil conseguir trabalho sem escolaridade. Até dos trabalhadores da construção civil costuma-se exigir ensino fundamental", analisa Marcelo Abrileri, do site de recolocação profissional curriculum.com.br.

Embora a taxa de desemprego seja menor entre os menos escolarizados, essas pessoas não foram tão favorecidas pela expansão do mercado de trabalho entre 2005 e 2006.

Enquanto a taxa de ocupação nacional cresceu em 0,9 ponto percentual no período, os menos escolarizados viram o emprego expandir em apenas 0,2 pontos percentuais.

Em São Paulo, a situação é ainda mais desfavorável para essas pessoas: a taxa de desocupação aumentou de 8,2% para 8,6%. Já os mais escolarizados tiveram maior facilidade para se inserir no mercado. A taxa de desocupação entre eles caiu de 9,4% para 8,5%.

"E vai continuar sendo assim. Nas áreas urbanas, cresce a exigência não exatamente de anos de estudo, mas da capacidade de se aperfeiçoar", diz Abrileri.
UOL