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Presidente do Senado autoriza nova rádio para empresa que seria de seu grupo

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), assinou na terça-feira um decreto legislativo aprovando uma nova concessão de rádio para a empresa JR Comunicação. Segundo a revista "Veja", a empresa pertence ao próprio senador, por intermédio de laranjas.

O decreto, publicado ontem no "Diário Oficial", autoriza a União a assinar contrato de concessão de uma rádio FM, na cidade de Joaquim Gomes (Alagoas), com a JR Radiodifusão.

A Folha informa que a concessão é pelo prazo de dez anos, renováveis, e foi adquirida pela JR em licitação pública do Ministério das Comunicações --a concorrência foi aberta em 2001, e a empresa venceu com a proposta de pagamento de R$ 222.121.

Lula

Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em Manágua (Nicarágua) que está na hora de as investigações sobre as denúncias envolvendo o presidente do Senado chegarem ao fim. "Esse caso não pode ficar a vida inteira dependendo dos discursos políticos, ou seja, em algum momento vai ter que decidir. O Senado julga, a Polícia Federal investiga ou a Suprema Corte julga, porque tudo tem que ter um começo, um meio e um fim. Eu acho que está chegando a hora de ter um fim, na medida em que se faça as investigações corretas."

Renan está sendo investigado pelo Conselho de Ética do Senado por supostamente ter utilizado recursos da empresa Mendes Júnior, via lobista, para pagar despesas pessoais, como pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento. A representação foi feita pelo PSOL. Outras representações foram protocoladas na Mesa Diretora da Casa.

Apesar de sugerir o fim do caso, o presidente preferiu não determinar um fim para que o Senado conclua as investigações sobre Renan. "Quem sou eu para determinar qual o tempo que o Congresso vai ter que ter. O máximo que eu faço é decidir a minha agenda e decidir as coisas do Poder Executivo", afirmou.

O presidente demonstrou preocupação com a possibilidade de as investigações sobre Renan prejudicarem as votações no Congresso Nacional. "O que eu quero é que o que está acontecendo no Senado não prejudique as necessidades do Brasil, que precisa ter as coisas votadas urgentemente, porque muitos projetos importantes dependem de leis a serem aprovadas na Câmara e no Senado", afirmou.

Telefonema

Renan confirmou que recebeu um telefonema de Lula anteontem à noite. Segundo o senador, o presidente telefonou para se explicar sobre a afirmação de que irá intervir caso as investigações sobre o senador paralisem as votações no Congresso. Segundo Renan, Lula não adotaria a postura de cobrança sobre o Senado Federal.

"Ele é meu amigo. E ele não iria cobrar nada do Senado Federal. Ele chefia um Poder, eu chefio outro Poder", disse Renan. O senador afirmou que mantém com o presidente uma relação de amizade acima de qualquer "relação político-partidária".

Ontem, em Manágua, questionado se Renan teria o apoio do presidente, Lula disse que "todo ser humano, todo brasileiro, 190 milhões de brasileiros, inclusive você [jornalista], terá o meu apoio porque todos são inocentes até prova em contrário", afirmou.

Denúncias

Além da investigação envolvendo a construtora Mendes Júnior, Renan também deverá responder a outro processo no Conselho de Ética. A Mesa Diretora do Senado já encaminhou ao conselho nova representação do PSOL que acusa Renan de ter beneficiado a empresa Schincariol junto ao INSS depois que a empresa comprou uma fábrica de seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), por preço superfaturado.

Uma outra representação foi feita pelo DEM e pelo PSDB para investigar reportagem publicada na revista "Veja" informando que Renan é sócio oculto de uma empresa de comunicação em Alagoas. Ele teria usado "laranjas" e pago R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo, parte em dólares, para virar sócio de duas emissoras de rádio em Alagoas, que valem cerca de R$ 2,5 milhões.

Ontem, o Conselho de Ética do Senado decidiu que vai analisar separadamente as representações contra Renan.

UOL

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