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Prefeito de Florianópolis nega ter feito lei para beneficiar empresário

O prefeito de Florianópolis, Dario Berger (PSDB), disse ontem que se a Câmara Municipal revogar a lei de incentivo à hotelaria da cidade, colocada sob suspeita por investigação da Polícia Federal, acaba o incentivo ao setor. Berger negou que a lei tenha sido criada para beneficiar o dono do resort de luxo Costão do Santinho, Fernando Marcondes de Mattos.

Também criticou o parecer da procuradoria da Câmara Municipal, que anteontem recomendou à mesa diretora a instalação de uma comissão processante para investigá-lo. Segundo o prefeito, que anunciou ser candidato à reeleição no próximo ano, o parecer esconde a intenção política de desgastá-lo.

O primeiro relatório da Polícia Federal após a Operação Moeda Verde registra uma conversa telefônica do prefeito com o procurador-geral da Assembléia Legislativa e ex-presidente da Câmara, Michel Curi (PTB), de dezembro do ano passado, em que Berger diz que "gostaria de ajudar" Marcondes de Mattos e que aceita alterar o projeto original para abrigar sugestões do empresário.

Deflagrada em maio, a operação decorreu da investigação de fraudes na liberação de alvarás e licenças ambientais para construção de grandes empreendimentos imobiliários na capital catarinense.

"Na prefeitura, o contador [de Marcondes de Mattos] não veio", disse o prefeito. Fazia referência a uma conversa grampeada em que o vereador cassado Juarez Silveira (sem partido), seu ex-líder na Casa, pede que o empresário mande seu contador para fazer a mudança que quiser no projeto. "Eu vetei todas as emendas que pudessem desfigurar o projeto original, restabeleci o meu projeto", afirmou, sugerindo que, se houve abrigo do interesse de Marcondes de Mattos, teria ocorrido na Câmara.

Segundo Berger, o conteúdo da conversa interceptada pela PF "é relativamente displicente e sem importância".

De volta de uma viagem a Portugal, Berger reafirmou ontem que nem ele nem seu irmão, o deputado federal Djalma Berger (PSB), receberam doação de dinheiro do empresário para a campanha eleitoral de Djalma.

Nas conversas monitoradas, Silveira diz a um secretário de Berger que Marcondes de Mattos doou R$ 500 mil. O valor não aprece na prestação de contas do deputado. O empresário e deputado também negaram a existência desse dinheiro. A Folha não conseguiu falar com o ex-vereador Juarez Silveira.

MARI TORTATO

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