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Um grupo com 15 dos principais especialistas no setor aeronáutico do País condenou unanimemente a proposta de construção de uma terceira pista no Aeroporto de Cumbica. Seus trabalhos foram apresentados à Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e ao Ministério da Defesa este mês. Para o professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o engenheiro Conrado Balduccini, consultor de projetos de aeroportos e responsável por um estudo da área feito a pedido dos moradores da região, a obra corre o risco de se tornar inútil, com alto custo social e administrativo. "Ela não resolveria nenhum problema."
Ele explica que, como está agora, os pilotos que decolam de uma das duas pistas têm de virar para o lado direito. Se for construída uma terceira pista, paralela, quando uma aeronave sair da pista, também deverá virar a direita. "Então a trajetória cruzaria com a de qualquer avião que estivesse saindo de uma das duas pistas", afirma Balduccini. "Tudo isso foi comprovado em um estudo recente do ITA", disse, à emissora de TV BandNews, o também professor do instituto Alessandro Correia. Outro dos especialistas consultados pelo governo, Tarcízio R. Barbosa, da empresa RR, observa em seus estudos para o governo, datados de 1º de novembro, que, dada a extensão reduzida da terceira pista (1.800 metros), ela só poderia ser utilizada em condições normais para pousos - e atrasaria as outras duas pistas em cerca de dois minutos por operações. Caso a nova pista tivesse de operar uma decolagem, ela pararia totalmente as operações nas outras duas por três minutos. Balduccini também se preocupa com os custos sociais da construção de uma terceira pista em Guarulhos. "Ao meu ver, tem um custo social muito alto. Vivem lá em Guarulhos cerca de 25 mil pessoas a serem desalojadas. Além disso, há o custo de construção da pista." SOLUÇÕES Quanto às alternativas à terceira pista, os especialistas se dividem: há aqueles que sugerem remanejamentos para um terceiro aeroporto a ser construído no Estado ou para Viracopos, em Campinas, e aqueles que preferem readequar Cumbica à demanda. Balduccini, por exemplo, sugere que se construa uma pista de taxiamento para cada uma das pistas de Guarulhos - o que permitiria acelerar as operações. A maioria também defende estudos para criar um padrão operacional para cada uma das pistas atuais. Segundo Barbosa, a maior, de 3.700 metros, poderia ser utilizada só para pousos e decolagens intercontinentais, utilizando os Terminais 1 e 2. Já a pista menor, de 3 mil metros, serviria para operar pousos decolagens domésticos e até o limite de 8 mil ou 9 mil quilômetros de distância. "Poderia servir para vôos do Cone Sul até Miami", observa Balduccini. A dificuldade, nesse caso, é que esses vôos usariam um terceiro terminal de passageiros, cuja construção vem sendo contestada judicialmente. O ponto de vista do engenheiro do ITA foi apresentado ao governo federal em uma reunião realizada em outubro, no Ministério da Defesa, na presença de técnicos da Infraero. "Eles [O GOVERNO]disseram que vão autorizar um estudo para verificar as duas alternativas (a construção de uma terceira pista ou a utilização simultânea das duas pistas já existentes), em termos de custo benefício." O coordenador do Movimento Contra a Terceira Pista, Elton Soares de Oliveira, também acha que a solução para os problemas de Guarulhos não está na construção de uma terceira pista - e sim de um terceiro terminal dentro da base aérea de Cumbica. Segundo ele, essa alternativa aumentaria em 230 mil as operações anuais do aeroporto. Os especialistas, porém, não avaliaram essa possibilidade porque, anteriormente, a Infraero apresentou 13 justificativas técnicas que impediriam tal construção. GOVERNO O presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, afirmou ontem que, até o momento, a idéia do governo é construir uma terceira pista em Guarulhos, para aumentar o número de operações no aeroporto. Ele disse que já há análises preliminares sobre o assunto. "Guarulhos é o maior aeroporto do Hemisfério Sul. Temos de aproveitar Guarulhos, sempre trabalhando alguns anos à frente." Segundo a Assessoria de Imprensa do Ministério da Defesa, ainda não há uma posição técnica sobre a opção que será adotada para resolver os problemas de Guarulhos, mas o governo está estudando diversas alternativas. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou que esta semana haverá reuniões para decidir sobre a construção da terceira pista de Guarulhos e sobre a instalação de um terceiro aeroporto no Estado. Bruno Tavares, Bruno Paes Manso e Tânia Monteiro
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