A presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, Maria Cristina Ribeiro de Castro, afirmou hoje que há um grande número de transplantes realizados no País, mas que esse número equivale a menos de 20% dos que seriam necessários. Segundo ela, a ausência de uma cultura de doação de órgãos no Brasil e a falta de notificação da morte de potenciais doadores dificultam a realização de transplantes. Maria Cristina informou que, no primeiro semestre deste ano, só metade dos casos foi notificada e apenas 10% das doações, efetivadas. "Perdem-se 9 de cada 10 possíveis doadores", disse. As informações são da Agência Câmara.
A presidente da associação participa hoje de audiência pública sobre a Política Nacional de Transplantes. O evento também discute projetos de lei que ampliam a cobertura de transplantes pelos planos privados de saúde - PLs 2642/03, do Senado; e 4164/04, do deputado Rafael Guerra (PSDB-MG).
Desinteresse de hospitais
Na reunião, a médica lembrou que o valor pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por procedimento de transplante é pelo menos cinco vezes menor do que nos Estados Unidos. Na sua avaliação, esse valor gera desinteresse de hospitais e dos profissionais de saúde em relação aos transplantes. Segundo ela, também há uma preocupação sobre a realização de transplantes em condições inadequadas.
Maria Cristina disse que a associação é a favor da cobertura de todos os transplantes realizados pelo SUS por parte das operadoras privadas de planos de saúde. Ela defendeu, no entanto, a cobertura de transplantes realizados em doadores vivos e disse ser contra a cobertura daqueles realizados em doadores falecidos, pois nesses casos não se sabe para quem o órgão será doado. Ela também disse ser contra a cobertura de transplantes realizados no exterior, que envolve altos custos.
A audiência é promovida pela Comissão de Seguridade Social e Família, no plenário 7.