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Governo prevê novo risco de apagão aéreo para Finados

BRASÍLIA - Um novo apagão aéreo ameaça o País, no feriado de Finados, por causa da decretação de estado de greve e da realização de uma operação padrão pelos funcionários da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, um dos principais pontos de distribuição de vôos.

 

O governo está preocupado com o movimento. E na tentativa de se antecipar a uma possível paralisação dos cerca de 100 servidores da torre de aproximação de Guarulhos, que, se entrarem em greve, poderão parar o maior aeroporto internacional brasileiro, o Comando da Aeronáutica já se mobilizou e colocou de sobreaviso sargentos controladores de vôos e pessoal técnico. Eles poderão substituir os servidores da Infraero e assumir as suas funções para tentar diminuir os prejuízos à população, às vésperas do feriado.

 

"Se houver paralisação em Guarulhos nós vamos colocar militares na torre de controle", disse o diretor do Departamento de Controle do Tráfego Aéreo (Decea), brigadeiro Ramon Cardoso. Na terça-feira, diante da ameaça de paralisação, o comando da Aeronáutica convocou uma reunião para definir como poderia ajudar a Infraero a evitar novos tumultos nos aeroportos. "Está todo mundo de sobreaviso", informou Cardoso. "Se eles entrarem em greve, nosso pessoal entra. Mas, em caso de operação padrão, não."

 

O primeiro grande apagão aéreo do País ocorreu exatamente há um ano, na madrugada de 1º para 2 de novembro, quando os controladores do tráfego aéreo, às três horas da manhã, paralisaram todo os vôos no País, a partir do Cindacta-1, deflagrando a maior e mais longa crise aérea vivida no Brasil. Esta será a primeira crise real enfrentada pelo novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, há pouco mais de 100 dias no cargo e que, somente na última quarta-feira, 31, conseguiu afastar Milton Zuanazzi da presidência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

 

A ameaça de apagão está sendo feita pelo Sindicato Nacional dos Empregados das Empresas de Administração dos Aeroportos. A entidade avisou que está em estado de greve e, se o acordo salarial assinado em julho com as empresas não for completamente cumprido, paralisará todos os serviços a partir de segunda-feira, 5 de novembro.

 

Congonhas e Cumbica

 

Apesar da operação padrão de servidores da Infraero, a situação era tranqüila no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, por volta das 7h15 desta quinta-feira, 1º.

 

De acordo com a Infraero, o movimento era normal e os passageiros não enfrentavam mais filas. Na noite de quarta, 31, primeiro dia da operação, a situação era crítica. Filas enormes se formavam no saguão do aeroporto.

 

Segundo o diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Francisco Lemos, faltam 300 trabalhadores no quadro de funcionários. "Os servidores têm de fazer horas extras para dar conta." Até as 7 horas, quatro dos 24 vôos programados sofreram atrasos superiores a uma hora no terminal (16,7). Nenhum vôo foi cancelado.

 

Crise

 

Em assembléia, os funcionários decidiram não fazer mais horas extras até que a empresa cumpra uma das cláusulas do acordo trabalhista que previa promoção dos funcionários a partir de outubro. "Esse item equivale a um reajuste de 6,5% nos salário. Agora, a Infraero diz que não tem dinheiro", disse o presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Francisco Lemos. Os servidores de Cumbica e de Congonhas ameaçam cruzar de vez os braços caso a Infraero não apresente uma proposta até terça-feira.

 

Segundo o sindicato, a partir de quarta, os funcionários dos aeroportos de Campinas, Santos Dumont e Galeão, no Rio, Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e Recife também devem aderir à operação padrão. Servidores de outros terminais ainda vão realizar assembléias nos próximos dias. O presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, garantiu ontem que dará a promoção aos funcionários, mas o sindicato manteve o estado de greve.

 

A falta de funcionários teve reflexo nas áreas de embarque de Guarulhos. No Terminal 1, pela ma nhã de quarta, a fila de passageiros chegou à Asa A. Quem tentava embarcar à noite enfrentava filas que ultrapassam duas asas do aeroporto.

 

Jobim, por sua vez, admitiu que até março os passageiros poderão enfrentar problemas, "de conforto, mas não de segurança". Para Jobim, as empresas precisam fazer sua parte em casos de problemas "previsíveis". "Se vamos ter problema tal dia, com fechamento de aeroportos por causa de mau tempo, precisamos montar desde já uma forma de que os passageiros fiquem sabendo."

Tânia Monteiro,

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